Mariana Coelho Lima

Misleine Andrade F Peel

João de Deus Leite

19/12/2025

A história de Nova Olinda começou em 1958, com a criação da fazenda “Solta” pelos pioneiros Raimundo Alves Bento e Antônio da Costa Lima, apelidado de Caçula. O desenvolvimento do local foi significativamente impulsionado pela construção da BR-153 (Belém/Brasília) em 1960, transformando a área em um povoado. A presença da rodovia, que facilitou o transporte de mercadorias, aliada à fertilidade do solo, atraiu um grande número de agricultores e comerciantes. O nome “Nova Olinda” foi sugerido por um guarda de segurança da Companhia Construtora, que colocou uma placa no centro do povoado em tributo à cidade histórica de Olinda, em Pernambuco. Graças à sua posição estratégica na BR-153, Nova Olinda experimentou um rápido crescimento, tornando-se um centro urbano relevante e conquistando sua emancipação política e administrativa em 10 de junho de 1980 (IBGE, 2023).

Com uma área territorial de 1.567,834 km² (IBGE, 2023). Nova Olinda, classificado como um centro local com baixa influência sobre os municípios vizinhos e situado próximo a Araguaína, Tocantins, é um ponto de atração para visitantes, principalmente devido à sua logística de transportes. Seu Produto Interno Bruto (PIB) soma cerca de R$ 320,3 milhões. A composição de seu valor adicionado é predominantemente setorial, com os serviços respondendo por 43,1%, seguidos pela administração pública (33,5%), agropecuária (12,7%) e indústria (10,8%). Em termos de riqueza individual, o PIB per capita de Nova Olinda é de R$ 26,7 mil. Este valor está abaixo das médias estadual (R$ 32,2 mil) e da pequena região de Araguaína (R$ 28,2 mil). Em Nova Olinda, o mercado de trabalho formal conta com 1,5 mil postos de trabalho. A maioria desses empregos está concentrada nas áreas de trabalhador agropecuário em geral (71 ocupações), criador de peixes (52) e faxineiro (41). A remuneração média dos trabalhadores com carteira assinada no município é de R$ 2,9 mil, um valor inferior à média estadual, que é de R$ 3,2 mil (Caravela, 2025). No Mapa 1 está a localização geográfica do munícipio.

Mapa 1 – Localização geográfica do munícipio de Nova Olinda

Fonte: elaborado pelos autores em conformidade com os dados do IBGE (2018;2021) e Google Satellite (2024).

A análise dos dados populacionais apresentados revela uma clara e generalizada desaceleração do crescimento demográfico em todas as esferas geográficas, marcando uma transição significativa entre os períodos 2000-2010 e 2010-2022.

O Brasil, como um todo, viu sua taxa de crescimento cair de 12,34% para 6,46%. Embora a Região Norte e o Tocantins tenham mantido um crescimento acima da média nacional em ambos os períodos, o ritmo de expansão também diminuiu drasticamente, com o Tocantins, por exemplo, reduzindo sua taxa de 19,56% para 9,25%. Essa tendência de desaceleração indica que o forte dinamismo populacional observado no estado está em declínio, refletindo as mudanças demográficas nacionais.

No entanto, o declínio mais acentuado é observado na Região de Influência Imediata de Araguaína (RIIA). Após um crescimento alinhado com o estado (19,4%) no período inicial, a taxa da RIIA despencou para apenas 5,1% em 2010-2022. Este valor é notavelmente inferior à média estadual (9,25%), regional (9,39%) e até mesmo nacional (6,46%). Essa queda drástica no dinamismo da RIIA, que abrange Araguaína e seus 20 municípios pequenos, sugere que a região, como um todo, está perdendo atratividade ou que o crescimento está se concentrando na cidade média (Araguaína), enquanto Nova Olinda enfrenta êxodo populacional. Araguaína já concentra a maior parte da população e serviços essenciais, atraindo famílias de sua área de influência, o que reforça o desafio do planejamento urbano frente ao crescimento acelerado de cidades médias (Lima, 2025).

O caso de Nova Olinda é um exemplo extremo dessa dinâmica. Após crescer 13,86% entre 2000 e 2010, o município registrou um decréscimo populacional de -2,97% no período seguinte (2010-2022). Esse cenário de perda populacional ativa (decréscimo) contrasta com o crescimento residual do estado e da região. Esse declínio é um forte indicador de que Nova Olinda está sendo diretamente afetada pelas disparidades na distribuição de oportunidades e serviços, levando à migração de seus habitantes para centros urbanos mais desenvolvidos, como Araguaína, um fenômeno comum em municípios pequenos de regiões metropolitanas ou de influência imediata, conforme a comparação do crescimento populacional no Gráfico 1 abaixo.

Gráfico 1- Crescimento populacional comparativo de Nova Olinda

Fonte: elaborado pelos autores em conformidade com os dados do DATASUS (2022).

Nova Olinda ocupa a nona posição no ranking de taxa de crescimento populacional, um dado que deve ser verificado no Gráfico 2.

Gráfico 2 – Taxa de crescimento populacional 2010-2022

Fonte: elaborado pelos autores em conformidade com os dados do DATASUS (2022).

Ademais, apresentaremos as taxas de Nascimentos e de Óbitos em Nova Olinda (2010-2022).

Gráfico 3 – Dados de nascimento e de óbitos em Nova Olinda

Fonte: elaborado pelos autores em conformidade com os dados do DATASUS (2022).

A análise dos dados de nascimento e óbitos no município de Nova Olinda entre 2010 e 2022 revela padrões de variação distintos ao longo do período.

Em relação aos nascimentos, o período inicial (2010-2015) apresentou uma oscilação significativa, com um pico notável em 2011 (241 nascimentos) e 2015 (219 nascimentos), contrastando com um valor mais baixo em 2013 (163 nascimentos). Após 2015, a tendência geral se move para uma estabilização ou leve declínio, com os números de nascimentos se mantendo predominantemente abaixo das 200 ocorrências anuais. O menor número de nascimentos registrado ocorreu em 2020 (155), coincidindo com o início do período pandêmico, e permaneceu em patamares baixos nos anos subsequentes (162 em 2021 e 165 em 2022).

Quanto aos óbitos, a trajetória demonstra uma tendência de crescimento mais constante e acentuado ao longo dos 13 anos. Inicialmente, entre 2010 e 2015, o número de óbitos aumentou gradualmente de 50 para 64. Entre 2016 e 2020, os valores se mantiveram relativamente estáveis na faixa de 64 a 70 óbitos anuais. No entanto, o ano de 2021 marcou um aumento drástico e atípico, atingindo 100 óbitos, o maior valor registrado na série, provavelmente influenciado pelo contexto da pandemia. Embora tenha havido uma redução em 2022 (85 óbitos), o número de óbitos permaneceu em um patamar elevado em comparação com a média da década anterior.

Dessa forma, é necessário apresentar o Índice de Envelhecimento (IE), que é um indicador demográfico que mede a proporção de idosos em relação à população jovem em um determinado local, conforme demonstrado no Gráfico 4.

Gráfico 4 – Índice de envelhecimento em 2022

Fonte: elaborado pelos autores em conformidade com os dados do DATASUS (2022).

Dizer que o Índice de Envelhecimento do município de Nova Olinda é de 58,7 significa que, para cada 100 jovens (população com 0 a 14 anos de idade) residentes no município, existem aproximadamente 59 idosos (população com 60 anos ou mais).

Enfim, Nova Olinda indica um estágio de envelhecimento populacional que, embora não seja o mais alto da região (Muricilândia, por exemplo, apresenta 60,2), sugere que o município está experimentando um aumento da demanda por serviços voltados à terceira idade, como saúde geriátrica, previdência e infraestrutura adaptada. Além disso, esse valor sugere a existência de possíveis dinâmicas populacionais, como baixa natalidade e/ou emigração de jovens em busca de melhores oportunidades, fatores que contribuem para aumentar a proporção relativa de idosos no município.

REFERÊNCIAS

CARAVELA. Uma nova forma de pesquisa de mercado. 2025. Disponível em: https://www.caravela.info/. Acesso em: 11 dez. 2025.

DATASUS. http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sinasc/cnv/nvto.def. Acesso em 11 dez. 2025.

GOOGLE SATELLITE. Google Earth. 2024.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Cidades e Estados. 2023. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/to/araguaina.html. Acesso em: 11 dez. 2025.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.  Malhas Territoriais. 2018;2021. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/geociencias/organizacao-do-territorio/malhas-territoriais/15774-malhas.html. Acesso em: 16 maio 2023.

LIMA, M. C. Planejamento urbano e desenvolvimento desigual para a primeira infância na região de influência imediata de Araguaína. 2025.270f. Dissertação (Programa de Pós-graduação em Demandas Populares e Dinâmicas Regionais) – Universidade Federal do Norte do Tocantins, Araguaína, 2025.

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