Mariana Coelho Lima

Misleine Andrade F Peel

João de Deus Leite

19/12/2025

De acordo com o IBGE (2023), Muricilândia teve sua origem em 1952, quando migrantes do Nordeste se fixaram nas margens do rio Muricizal em busca de melhores oportunidades. Eles desbravaram a mata para cultivar a terra, o que resultou no crescimento do vilarejo até ser elevado à condição de distrito em 1988. Em fevereiro de 1991, Muricilândia foi emancipada, tornando-se um município. No ano seguinte, o empresário Rubens Gonçalves de Aguiar foi eleito o primeiro prefeito da cidade. O nome do município deriva da grande quantidade de árvores frutíferas conhecidas como Murici que existiam na região.

Com uma área territorial de 1.194,368 km² (IBGE, 2023). Muricilândia, classificada como um centro local de baixa influência, está situada próxima a Araguaína, no Tocantins, e é notável por sua atração de visitantes, principalmente devido à logística de transportes. Seu Produto Interno Bruto (PIB) totaliza cerca de R$ 69,5 milhões. A estrutura econômica do município é majoritariamente sustentada pela administração pública (47% do valor adicionado), seguida pela agropecuária (41,4%), serviços (9,6%) e indústria (1,9%). O PIB per capita de Muricilândia é de R$ 19,2 mil, um valor que se encontra abaixo das médias do estado (R$ 32,2 mil) e da pequena região de Araguaína (R$ 28,2 mil). Em Muricilândia, o mercado de trabalho formal registra 448 empregos com carteira assinada. As ocupações comuns entre esses trabalhadores são: montador de estruturas metálicas (104), motorista de caminhão para rotas regionais e internacionais (104) e trabalhador agropecuário em geral (102). A remuneração média dos trabalhadores formais no município é de R$ 2,1 mil, um montante inferior à média estadual, que é de R$ 3,2 mil (Caravela, 2025). No Mapa 1 está a localização geográfica do munícipio.

Mapa 1 – Localização geográfica do munícipio de Muricilândia

Fonte: elaborado pelos autores em conformidade com os dados do IBGE (2018;2021) e Google Satellite (2024).

A análise dos dados populacionais revela uma tendência de desaceleração do crescimento em todas as esferas geográficas, desde o nível nacional até a Região de Influência Imediata de Araguaína (RIIA).

No período de 2000-2010, o Brasil, a Região Norte e o Tocantins apresentavam taxas de crescimento de 12,34%, 23,04% e 19,56%, respectivamente. Entre 2010 e 2022, essas taxas caíram acentuadamente, com o Brasil chegando a 6,46%. Embora a Região Norte e o Tocantins ainda cresçam a um ritmo superior ao nacional (cerca de 9,3%), a queda no dinamismo é evidente, refletindo as mudanças demográficas no país.

A RIIA, região de estudo, sofreu a maior queda percentual, passando de um crescimento de 19,4% (2000-2010) para apenas 5,1% (2010-2022). Esse resultado é notável, pois a RIIA apresentou uma taxa de crescimento mais lenta do que a média nacional no período mais recente. Essa desaceleração sugere uma perda de dinamismo migratório ou a intensificação da migração para fora da região, o que está em linha com a teoria de desenvolvimento desigual (Lima, 2025).

O município de Muricilândia, que faz parte da RIIA, apresentou um crescimento de 17,61% no primeiro período, um valor robusto, mas um pouco abaixo das médias regional e estadual. No segundo período (2010-2022), seu crescimento caiu para 6,82%. O dado mais significativo é que, apesar da queda, a taxa de crescimento de Muricilândia (6,82%) superou a média da RIIA (5,1%), conforme a comparação do crescimento populacional no Gráfico 1 abaixo.

Gráfico 1- Crescimento populacional comparativo de Muricilândia

Fonte: elaborado pelos autores em conformidade com os dados do DATASUS (2022).

Isso indica que, enquanto o conjunto da RIIA enfrentava uma desaceleração profunda, Muricilândia conseguiu manter uma atratividade populacional relativa, mostrando-se mais resiliente do que a média dos 20 municípios pequenos da região, muitos dos quais enfrentam decréscimo populacional.

A afirmação de que Muricilândia foi o “quinto município em maior índice de crescimento populacional” requer uma verificação no Gráfico 2.

Gráfico 2 – Taxa de crescimento populacional 2010-2022

Fonte: elaborado pelos autores em conformidade com os dados do DATASUS (2022).

Muricilândia é o quinto município com o maior índice de crescimento populacional positivo na segunda década, ficando atrás de Araguaína (1º), Darcinópolis (2º), Santa Fé do Araguaia (3º) e Barra do Ouro (4º). Ademais, apresentaremos as taxas de Nascimentos e de Óbitos em Muricilândia (2010-2022).

Gráfico 3 –  Dados de nascimento e de óbitos em Muricilândia

Fonte: elaborado pelos autores em conformidade com os dados do DATASUS (2022).

A análise dos dados de nascimentos e óbitos do município de Muricilândia, no período de 2010 a 2022, revela tendências distintas e uma dinâmica populacional em transformação.

Em relação aos nascimentos, o município apresentou uma relativa estabilidade na primeira metade da década, mantendo-se frequentemente em torno de 59 a 61 nascimentos por ano entre 2010 e 2012. Observamos uma leve queda entre 2013 e 2016, com os valores caindo para a faixa de 46 a 49. Houve um ressurgimento dos nascimentos entre 2017 e 2020, atingindo picos de 60 e 65 em 2017 e 2018, respectivamente, o que pode indicar um breve aumento na taxa de natalidade. No entanto, o ano de 2022 marcou uma queda abrupta e significativa, registrando apenas 35 nascimentos, o menor número de todo o período analisado.

Quanto aos óbitos, a tendência geral ao longo do período é de crescimento, indicando um possível envelhecimento populacional. Inicialmente, entre 2010 e 2014, o número de óbitos manteve-se baixo e relativamente estável, variando entre 8 e 14. A partir de 2015, iniciou-se uma elevação contínua na mortalidade, ultrapassando consistentemente a marca de 18 óbitos anuais. Os picos foram registrados em 2017, 2018, 2020 e 2022 (com 21 a 22 óbitos), e, notavelmente, em 2021, que apresentou o maior número de óbitos da série histórica, com 30 registros, um aumento que pode estar associado aos impactos da pandemia de COVID-19.

Dessa forma, é necessário apresentar o Índice de Envelhecimento (IE), que é um indicador demográfico que mede a proporção de idosos em relação à população jovem em um determinado local, conforme demonstrado no Gráfico 4.

Gráfico 4 – Índice de envelhecimento em 2022

Fonte: elaborado pelos autores em conformidade com os dados do DATASUS (2022).

O Índice de Envelhecimento (IE) de Muricilândia, fixado em 60,2, indica que, para cada 100 jovens (0 a 14 anos) residentes no município, há aproximadamente 60,2 idosos (60 anos ou mais). Esse patamar de envelhecimento implica que o município deve enfrentar uma demanda crescente por serviços de saúde geriátrica e sistemas de previdência, exigindo também uma infraestrutura urbana adequada para atender à terceira idade.

Este elevado IE sugere dinâmicas populacionais específicas, que podem ser resultado tanto da migração de jovens em busca de melhores oportunidades (êxodo urbano) quanto de baixas taxas de natalidade. Em ambos os cenários, a consequência direta é o aumento proporcional da população idosa.

Portanto, o índice de envelhecimento de Muricilândia reforça a urgência de um planejamento urbano e social abrangente. Considerando o desafio demográfico e as dinâmicas populacionais desiguais que caracterizam a RIIA, é fundamental que o planejamento não se limite apenas a um público vulnerável em específico (primeira infância) (Lima, 2025), mas que também comece a prever e atender ativamente às demandas crescentes da população idosa, ajustando-se às realidades de cada município.

REFERÊNCIAS

CARAVELA. Uma nova forma de pesquisa de mercado. 2025. Disponível em: https://www.caravela.info/. Acesso em: 11 dez. 2025.

DATASUS. http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sinasc/cnv/nvto.def. Acesso em 11 dez. 2025.

GOOGLE SATELLITE. Google Earth. 2024.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Cidades e Estados. 2023. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/to/araguaina.html. Acesso em: 11 dez. 2025.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.  Malhas Territoriais. 2018;2021. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/geociencias/organizacao-do-territorio/malhas-territoriais/15774-malhas.html. Acesso em: 16 maio 2023.

LIMA, M. C. Planejamento urbano e desenvolvimento desigual para a primeira infância na região de influência imediata de Araguaína. 2025.270f. Dissertação (Programa de Pós-graduação em Demandas Populares e Dinâmicas Regionais) – Universidade Federal do Norte do Tocantins, Araguaína, 2025.

 

 

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