Mariana Coelho Lima
Misleine Andrade F Peel
João de Deus Leite
19/12/2025
Filadélfia, um município que se originou em 1951 e alcançou sua emancipação política em 1959, possui uma localização estratégica, fazendo fronteira com Carolina, no Maranhão, da qual é separada pelo Rio Tocantins. Historicamente, a cidade integrava a importante rota fluvial que conectava o sul de Goiás ao Norte do Brasil. O nome “Filadélfia” foi escolhido para homenagear Filadélfio Antônio de Noronha, o primeiro fazendeiro a se estabelecer na localidade. O município podemos destacar como um polo turístico, abrigando a Reserva Estadual das Árvores Fossilizadas. Este local é reconhecido como patrimônio científico mundial por possuir a maior concentração de árvores petrificadas do planeta. Além disso, a Praia do Coqueiro atrai visitantes de várias partes do Brasil, resultando em um aumento temporário da população. Economicamente, Filadélfia tem como atividades predominantes a pecuária, a agricultura e a produção mineral, com destaque para o gesso e o calcário. Observamos que, nos últimos anos, a cidade tem passado por um desenvolvimento notável, evidenciado pelo aumento de empregos formais e pela inauguração de novos negócios nos setores industrial e comercial (IBGE, 2023).
Com uma área territorial de 1.991,258 km² (IBGE, 2023). O município de Filadélfia, classificado como um centro local de baixa influência próximo a Araguaína (TO), atrai a maioria de seus visitantes por meio de sua oferta cultural e de lazer. Sua economia, com um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 129,3 milhões, é dominada pela administração pública (48,8% do valor adicionado), seguida pela agropecuária (32,5%), serviços (15,3%) e indústria (3,5%). Com essa composição econômica, o PIB per capita de Filadélfia atinge R$ 14,5 mil, um valor inferior às médias estadual (R$ 32,2 mil) e da pequena região de Araguaína (R$ 28,2 mil). O mercado formal de trabalho em Filadélfia totaliza 593 empregos, com destaque para a predominância de trabalhadores agropecuários em geral (110) e trabalhadores da pecuária de corte (82). A terceira ocupação mais frequente é a de professor de disciplinas pedagógicas no ensino médio (50). A remuneração média dos trabalhadores formais no município é de R$ 2 mil, valor inferior à média estadual de R$ 3,2 mil (Caravela, 2025). No Mapa 1 está a localização geográfica do munícipio.
Mapa 1 – Localização geográfica do munícipio de Filadélfia

Fonte: elaborado pelos autores em conformidade com os dados do IBGE (2018;2021) e Google Satellite (2024).
A análise do crescimento populacional revela uma trajetória de forte crescimento macro (Brasil, Região Norte, Tocantins e RIIA) seguido por uma desaceleração geral.
No período de 2000 a 2010, o Brasil (12,34%), a Região Norte (23,04%), Tocantins (19,56%) e a Região de Influência Imediata de Araguaína (RIIA) (19,4%) exibiram um crescimento robusto. No entanto, o município de Filadélfia, dentro da RIIA, apresentou um crescimento muito mais modesto (3,45%), já indicando uma incapacidade de acompanhar o dinamismo regional.
O período de 2010 a 2022 foi marcado pela desaceleração em todas as esferas. O crescimento do Brasil caiu para 6,46%, e a RIIA desacelerou drasticamente para 5,1%, ficando abaixo da média nacional. Essa baixa taxa reflete as disparidades do “Desenvolvimento Desigual,” onde o crescimento se concentra em poucos centros, como em Araguaína-TO, enquanto outros sofrem perdas (Lima, 2025). Filadélfia ilustra essa disparidade, pois, enquanto a região ainda crescia, o município sofreu um decréscimo populacional de -9,29%, conforme a comparação do crescimento populacional no Gráfico 1 abaixo.
Gráfico 1 – Crescimento populacional comparativo de Filadélfia

Fonte: elaborado pelos autores em conformidade com os dados do DATASUS (2022)
Essa perda acentuada sugere um forte fluxo migratório em busca de melhores oportunidades em centros mais desenvolvidos, alinhamos à teoria de que a desigualdade no desenvolvimento pode impulsionar a migração (Lima, 2025).
Conforme o Gráfico 2, Filadélfia ocupou a 14ª posição no ranking de taxa de crescimento populacional registrado entre 2010 e 2022.
Gráfico 2 – Taxa de crescimento populacional 2010-2022

Fonte: elaborado pelos autores em conformidade com os dados do DATASUS (2022).
Ademais, apresentaremos as taxas de Nascimentos e de Óbitos para o município de Filadelfia (2010-2022).
Gráfico 3 – Dados de nascimento e de óbitos em Filadélfia

Fonte: elaborado pelos autores em conformidade com os dados do DATASUS (2022).
A análise dos dados de nascimentos e óbitos em Filadélfia entre 2010 e 2022 revela uma tendência geral de declínio no número de nascimentos e uma flutuação nos óbitos, resultando em um saldo natural populacional que se torna menos robusto ao longo da série histórica.
No início do período (2010-2012), o município registrava picos de nascimentos (146 em 2010 e 135 em 2012), indicando uma alta taxa de reposição populacional. No entanto, a partir de 2013, o número de nascimentos se estabiliza em torno de 110-120 por ano, seguido por uma queda acentuada nos anos finais, atingindo o ponto mais baixo em 2021 (94 nascimentos), um valor significativamente inferior ao patamar inicial.
Em relação aos óbitos, o município apresenta uma variação irregular. Embora a maioria dos anos registre óbitos entre 30 e 50, observamos um aumento notável em 2020 e 2021, quando os óbitos atingiram 60 em ambos os anos. Este aumento coincide com o período da pandemia de COVID-19, sugerindo um impacto direto da crise sanitária na mortalidade do município. Em 2022, o número de óbitos recua para 46, aproximando-se dos níveis pré-pandemia, enquanto o número de nascimentos se recupera ligeiramente para 102.
O saldo natural (nascimentos menos óbitos) mostra uma redução no potencial de crescimento vegetativo do município. Enquanto em 2010 o saldo era de 104 (146 nascimentos – 42 óbitos), ele se deteriora significativamente nos anos seguintes. A situação crítica ocorre em 2020 e 2021, onde a combinação de baixos nascimentos (100 e 94, respectivamente) e altos óbitos (60 em ambos) resulta nos saldos baixos da série (40 e 34, respectivamente). Essa tendência de redução do saldo natural, aliada à migração, pode explicar o crescimento populacional moderado de Filadélfia (que ocupou a 14ª posição de crescimento na RIIA entre 2010 e 2022, indicando que seu crescimento não é impulsionado por uma alta fertilidade local, mas sim, provavelmente, por fatores migratórios e pela dinâmica da região de influência (Lima, 2025).
Dessa forma, é necessário apresentar o Índice de Envelhecimento (IE), que é um indicador demográfico que mede a proporção de idosos em relação à população jovem em um determinado local, conforme demonstrado no Gráfico 4.
Gráfico 4 – Índice de envelhecimento em 2022

Fonte: elaborado pelos autores em conformidade com os dados do DATASUS (2022).
O Índice de Envelhecimento (IE) de Filadélfia, que é de 80,6, significa que, para cada 100 jovens (população com 0 a 14 anos de idade) residentes no município, existem aproximadamente 81 idosos (população com 60 anos ou mais).
Em termos práticos, este índice elevado revela um significativo envelhecimento populacional em Filadélfia, que possui a segunda maior proporção de idosos na região, ficando atrás apenas de Babaçulândia (89,2). O valor de 80,6 demonstra que a população idosa é expressiva, quase se igualando ao número de jovens.
Por fim, essa transição demográfica aponta para potenciais desafios futuros, como o aumento da demanda por serviços de saúde e previdência social, além da necessidade de políticas sociais específicas para a terceira idade, o que pode ser acompanhado por um risco de redução na força de trabalho jovem.
REFERÊNCIAS
CARAVELA. Uma nova forma de pesquisa de mercado. 2025. Disponível em: https://www.caravela.info/. Acesso em: 11 dez. 2025.
DATASUS. http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sinasc/cnv/nvto.def. Acesso em 11 dez. 2025.
GOOGLE SATELLITE. Google Earth. 2024.
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Cidades e Estados. 2023. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/to/araguaina.html. Acesso em: 11 dez. 2025.
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Malhas Territoriais. 2018;2021. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/geociencias/organizacao-do-territorio/malhas-territoriais/15774-malhas.html. Acesso em: 16 maio 2023.
LIMA, M. C. Planejamento urbano e desenvolvimento desigual para a primeira infância na região de influência imediata de Araguaína. 2025.270f. Dissertação (Programa de Pós-graduação em Demandas Populares e Dinâmicas Regionais) – Universidade Federal do Norte do Tocantins, Araguaína, 2025.