Mariana Coelho Lima
Misleine Andrade F Peel
João de Deus Leite
19/12/2025
Informações do IBGE (2023), A história da formação do município de Carmolândia está ligada à chegada de migrantes de Minas Gerais a Goiás, na região de Araguaína, em junho de 1960. Inicialmente, o Sr. Marcondes Vaz da Costa fundou o povoado de Marima, que era administrado por Pedro Alexandrino de Oliveira e Ambrosina Maria de Jesus. Quatro anos depois, o desenvolvimento da área se intensificou quando José Pedro de Oliveira e Carmo Pedro de Oliveira adquiriram terras estaduais. José Pedro desmatou a Fazenda Bom Despacho e doou 12 alqueires para a criação de um novo povoado. Paralelamente, Carmo Pedro contribuiu com 5 alqueires de sua Fazenda Alto Boa Vista, originando o povoado que viria a ser chamado de Carmolândia. A primeira residência foi erguida por José Pedro de Oliveira em 13 de janeiro de 1965, e o município alcançou sua emancipação em 20 de fevereiro de 1991.
Com uma área territorial de 339,366 km² (IBGE, 2023). Embora o município de Carmolândia seja considerado um centro local com baixa influência sobre os vizinhos, sua localização próxima a Araguaína, no Tocantins, o torna um polo de atração para visitantes, principalmente devido à logística de transportes. O Produto Interno Bruto (PIB) municipal totaliza aproximadamente R$ 69,2 milhões. A composição desse valor adicionado é majoritariamente sustentada pela agropecuária (45,1%), seguida pela administração pública (39,7%), serviços (12,9%) e indústria (2,3%). Com base nessa estrutura, o PIB per capita de Carmolândia alcança R$ 26,4 mil. Este valor é inferior às médias tanto do estado (R$ 32,2 mil) quanto da pequena região de Araguaína (R$ 28,2 mil). O mercado de trabalho formal em Darcinópolis registra 301 empregos com carteira assinada. As ocupações mais comuns entre esses trabalhadores são: trabalhador agropecuário em geral (60), trabalhador da pecuária de corte (bovinos) (58) e tratorista agrícola (29). A remuneração média desses trabalhadores formais é de R$ 1,6 mil, valor que se encontra abaixo da média estadual de R$ 3,2 mil (Caravela, 2025). No Mapa 1 está a localização geográfica do munícipio.
Mapa 1 – Localização geográfica do munícipio de Carmolândia

Fonte: elaborado pelos autores em conformidade com os dados do IBGE (2018;2021) e Google Satellite (2024).
O município de Carmolândia apresenta uma tendência de desaceleração no seu crescimento populacional, quando comparado aos níveis estadual (Tocantins), regional (Norte) e nacional (Brasil), no período de 2010 a 2022.
A análise demográfica indica uma desaceleração geral do crescimento populacional no Brasil e na Região de Influência Imediata de Araguaína (RIIA) entre 2000-2010 e 2010-2022. O município de Carmolândia, um dos menores, seguiu essa tendência de forma mais acentuada.
No período de 2000 a 2010, Carmolândia cresceu 14,79%, ficando abaixo da média de crescimento da RIIA. Contudo, entre 2010 e 2022, o município experimentou um decréscimo populacional de -4,51%. Este declínio contrasta com o saldo populacional positivo da RIIA (5,1%), que foi impulsionado pelo crescimento de Araguaína (13,8%).
O encolhimento de Carmolândia, semelhante ao observado em outros municípios pequenos como Babaçulândia (com aproximadamente -25%), sugere um fenômeno de migração em busca de melhores oportunidades e serviços concentrados em centros maiores. Essa disparidade reflete a teoria do “Desenvolvimento desigual” na região (Lima, 2025), conforme a comparação do crescimento populacional no Gráfico 1 abaixo.
Gráfico 1- Crescimento populacional comparativo de Carmolândia

Fonte: elaborado pelos autores em conformidade com os dados do DATASUS (2022).
Com base nos dados analisados para a Região de Influência Imediata de Araguaína (RIIA), que compreende 21 municípios, o município de Carmolândia ocupa a 11ª posição no ranking de crescimento populacional, como verificado no Gráfico 2.
Gráfico 2 – Taxa de crescimento populacional 2010-2022

Fonte: elaborado pelos autores em conformidade com os dados do DATASUS (2022).
Ademais, apresentaremos as taxas de Nascimentos e de Óbitos em Carmolândia (2010-2022).
Gráfico 3 – Dados de nascimento e de óbitos em Carmolândia

Fonte: elaborado pelos autores em conformidade com os dados do DATASUS (2022).
A análise dos dados de nascimentos e óbitos em Carmolândia entre 2010 e 2022 revela uma dinâmica populacional que favorece o crescimento vegetativo, mas com tendências recentes de declínio na natalidade. Em todos os anos, o número de nascimentos superou o de óbitos, resultando em um saldo natural positivo. O pico de crescimento vegetativo ocorreu em 2014 (44), impulsionado por um alto número de nascimentos (51) e poucos óbitos (7).
Apesar da consistência do saldo natural, a tendência de nascimentos mostra forte instabilidade e uma queda acentuada nos últimos anos. Após atingir seu máximo em 2019 (54 nascimentos), os números caíram progressivamente, chegando ao mínimo da série histórica em 2022 (27 nascimentos).
O decréscimo populacional de quase 5% no mesmo período revela que o crescimento vegetativo (Total de nascimento – Total de óbitos) de 280 pessoas não foi suficiente para compensar as perdas populacionais, sendo, portanto, dominado por um saldo migratório negativo. Isso significa que mais pessoas saíram de Carmolândia do que entraram (êxodo populacional) O movimento de saída da população é um reflexo comum das disparidades regionais, onde pessoas migram em busca de melhores oportunidades em municípios mais desenvolvidos, como Araguaína, que é o centro de sua Região Geográfica Imediata , e que, por sua vez, registrou um crescimento de 13,8% no mesmo período (Lima, 2025).
Essa dinâmica coloca Carmolândia em uma situação semelhante à de outros municípios pequenos na região que apresentaram decréscimo populacional entre 2010 e 2022, como Babaçulândia, Piraquê e Arapoema. O declínio populacional, mesmo com um número positivo de nascimentos, aponta para desafios no planejamento urbano e na retenção de moradores. O impacto dessa perda de habitantes pode afetar a demanda e a qualidade dos serviços essenciais – como saúde, educação e saneamento básico – necessários para a população que permanece (Lima, 2025).
Dessa forma, é necessário apresentar o Índice de Envelhecimento (IE), que é um indicador demográfico que mede a proporção de idosos em relação à população jovem em um determinado local, conforme demonstrado no Gráfico 4.
Gráfico 4 – Índice de envelhecimento em 2022

Fonte: elaborado pelos autores em conformidade com os dados do DATASUS (2022).
Dizer que o Índice de Envelhecimento (IE) do município de Carmolândia é de 62,1 significa que, para cada 100 jovens (população de 0 a 14 anos de idade) residentes, existem aproximadamente 63 idosos (população com 60 anos ou mais).
Um índice acima de 60% indica que a sociedade já possui uma proporção significativa de idosos em comparação com os jovens. Este cenário é característico de áreas que passaram por mudanças demográficas, como a redução das taxas de fecundidade (menos nascimentos) e o aumento da expectativa de vida (as pessoas vivem mais).
Por fim, essa tendência é particularmente notável em Carmolândia, que, conforme estudos sobre a RIIA, apresenta o segundo menor percentual de crianças na primeira infância (0,75%) em relação à população geral da região, perdendo apenas para Piraquê (0,73%). Logicamente, se a base de jovens está diminuindo ou é pequena, isso contribui diretamente para a elevação do Índice de Envelhecimento, refletindo o processo geral de envelhecimento demográfico brasileiro, mesmo em municípios de menor porte.
REFERÊNCIAS
CARAVELA. Uma nova forma de pesquisa de mercado. 2025. Disponível em: https://www.caravela.info/. Acesso em: 11 dez. 2025.
DATASUS. http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sinasc/cnv/nvto.def. Acesso em 11 dez. 2025.
GOOGLE SATELLITE. Google Earth. 2024.
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Cidades e Estados. 2023. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/to/araguaina.html. Acesso em: 11 dez. 2025.
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Malhas Territoriais. 2018;2021. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/geociencias/organizacao-do-territorio/malhas-territoriais/15774-malhas.html. Acesso em: 16 maio 2023.
LIMA, M. C. Planejamento urbano e desenvolvimento desigual para a primeira infância na região de influência imediata de Araguaína. 2025.270f. Dissertação (Programa de Pós-graduação em Demandas Populares e Dinâmicas Regionais) – Universidade Federal do Norte do Tocantins, Araguaína, 2025.