Mariana Coelho Lima

Misleine Andrade F Peel

João de Deus Leite

19/12/2025

A história do município de Riachinho, localizado no Bico do Papagaio, na região norte do Tocantins, começou com a chegada das primeiras famílias. Em junho de 1952, moradores como Estevão Guedeia Soares, Teodoro Pereira de Sá e Alderico Pereira de Sá vieram em comitivas de Boa Vista do Padre João (atual Tocantinópolis) e se estabeleceram perto do Córrego Riachinho. A presença desse pequeno curso d’água foi fundamental, dando origem ao nome da cidade. O município de Riachinho foi oficialmente instituído em 5 de outubro de 1989 e instalado em 1º de janeiro de 1993, ligando sua história à fixação das primeiras famílias e ao córrego que deu nome à localidade (IBGE, 2023).

Com uma área territorial de 512,156 km² (IBGE, 2023). Riachinho é classificado como um centro local de baixa influência na sua vizinhança, estando localizado próximo a Araguaína, no Tocantins. O município se destaca em sua área de influência por atrair visitantes majoritariamente devido à logística de transportes. Seu Produto Interno Bruto (PIB) é de aproximadamente R$ 68,5 milhões. A estrutura de valor adicionado é dominada pela administração pública, que representa 56,7% do total, seguida pela agropecuária (29,3%), serviços (11,5%) e indústria (2,5%). Com essa composição econômica, o PIB per capita de Riachinho é de R$ 14,5 mil, um valor que se situa abaixo das médias do estado (R$ 32,2 mil) e da pequena região de Araguaína. O mercado de trabalho formal em Riachinho registra 303 postos de trabalho. As ocupações comuns entre esses trabalhadores são as de auxiliar de pessoal (com 42 indivíduos), professor de ensino superior em didática (33) e trabalhador agropecuário em geral (29). A remuneração média dos empregados formais no município é de R$ 2 mil, um montante inferior à média estadual de R$ 3,2 mil (Caravela, 2025). No Mapa 1 está a localização geográfica do munícipio.

Mapa 1 – Localização geográfica do munícipio de Riachinho

Fonte: elaborado pelos autores em conformidade com os dados do IBGE (2018;2021) e Google Satellite (2024).

A análise dos dados populacionais de Riachinho, comparada com as esferas regionais mais amplas, evidencia uma notável mudança na sua dinâmica demográfica, espelhando a tendência de desaceleração.

No período de 2000 a 2010, Riachinho registrou um crescimento populacional de 13,97%. Embora essa taxa estivesse acima da média nacional (12,34%), ela era significativamente inferior tanto à média da Região de Influência Imediata de Araguaína (RIIA), que cresceu 19,4%, quanto à do estado do Tocantins (19,56%).

A situação se inverte drasticamente no período subsequente, de 2010 a 2022. Enquanto o Brasil, a Região Norte e o Tocantins continuaram a crescer (ainda que a taxas menores), Riachinho registrou um decréscimo populacional de -5,33%.

O decréscimo em Riachinho contribui para a forte desaceleração da RIIA como um todo, cuja taxa de crescimento caiu para apenas 5,1% no segundo período, bem abaixo da média estadual de 9,25%, conforme a comparação do crescimento populacional no Gráfico 1 abaixo.

Gráfico 1- Crescimento populacional comparativo de Riachinho

Fonte: elaborado pelos autores em conformidade com os dados do DATASUS (2022).

Este declínio coloca o município em um cenário de perda de população, uma tendência observada em outras cidades pequenas da RIIA, como Babaçulândia (-25%), Piraquê (-22%) e Arapoema (-18%), embora o decréscimo de Riachinho seja menos intenso do que esses extremos. A perda populacional em Riachinho pode ser explicada pela concentração de serviços e melhores oportunidades na cidade polo, Araguaína, reforçando o padrão de desenvolvimento desigual e a migração de pessoas em busca de melhores condições de vida, afetando as cidades pequenas da RIIA (Lima, 2025).

Riachinho ocupa a 12ª posição no ranking do índice de crescimento populacional, conforme indicado no Gráfico 2.

Gráfico 2 – Taxa de crescimento populacional 2010-2022

Fonte: elaborado pelos autores em conformidade com os dados do DATASUS (2022).

Ademais, apresentaremos as taxas de Nascimentos e de Óbitos em Riachinho (2010-2022).

Gráfico 3 – Dados de nascimento e de óbitos em Riachinho

Fonte: elaborado pelos autores em conformidade com os dados do DATASUS (2022).

Em relação aos nascimentos, o município apresentou uma tendência de leve decréscimo ao longo da década. No início do período (2010 a 2017), os nascimentos mantiveram-se relativamente estáveis, variando entre 60 e 69. O pico foi registrado em 2012 (69 nascimentos). A partir de 2018, no entanto, foi observado uma redução acentuada, com os nascimentos caindo para a faixa de 54 a 57 entre 2018 e 2020. Houve um aumento pontual em 2021 (66), seguido por uma nova queda em 2022 (59).

Quanto aos óbitos, a trajetória é de aumento, especialmente na segunda metade da década. Entre 2010 e 2014, o número de óbitos era baixo e estável (entre 15 e 19). A partir de 2015, os valores começaram a crescer, ultrapassando 20 óbitos anuais. Os anos de 2018 (27 óbitos), 2020 (29 óbitos) e, principalmente, 2021 (33 óbitos) marcaram os maiores índices de mortalidade do período. O pico de 2021 é particularmente elevado e sugere o impacto de crises sanitárias e/ou o envelhecimento populacional local.

Dessa forma, é necessário apresentar o Índice de Envelhecimento (IE), que é um indicador demográfico que mede a proporção de idosos em relação à população jovem em um determinado local, conforme demonstrado no Gráfico 4.

Gráfico 4 – Índice de envelhecimento em 2022

Fonte: elaborado pelos autores em conformidade com os dados do DATASUS (2022).

O Índice de Envelhecimento (IE) de 64,7 em Riachinho indica que para cada 100 jovens (população de 0 a 14 anos) residentes no município, existem aproximadamente 65 idosos (população de 60 anos ou mais). Essa proporção revela que a população local está envelhecendo. Essa dinâmica demográfica é particularmente notável no contexto da Região de Influência Imediata de Araguaína (RIIA), onde Riachinho ocupa uma das posições mais baixas em desenvolvimento, sendo o 20º município tanto no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) quanto no Produto Interno Bruto (PIB) per capita (Lima, 2025).

A análise desse índice sob a luz do desenvolvimento desigual sugere que a precariedade de Riachinho pode estar impulsionando a migração. A busca por melhores oportunidades de vida e o acesso a serviços essenciais — como saúde, educação e saneamento básico — que são escassos localmente levam jovens e adultos em idade produtiva a se deslocarem para centros mais desenvolvidos, como Araguaína (Lima, 2025). A saída dessa faixa etária resulta no aumento relativo do percentual de idosos em Riachinho, o que eleva seu Índice de Envelhecimento.

Em suma, as implicações desse índice são necessárias para o planejamento urbano e social de Riachinho. Um IE de 64,7, em um cenário de baixo desenvolvimento, sinaliza uma demanda crescente por serviços de saúde e assistência social direcionados à população idosa. Ao mesmo tempo, o município enfrenta o desafio de reter a população jovem e de garantir a sustentabilidade econômica, social e de infraestrutura sem a base produtiva adequada. Portanto, a taxa de envelhecimento em Riachinho reflete os desafios demográficos decorrentes das disparidades de desenvolvimento observadas entre os municípios da RIIA.

REFERÊNCIAS

CARAVELA. Uma nova forma de pesquisa de mercado. 2025. Disponível em: https://www.caravela.info/. Acesso em: 11 dez. 2025.

DATASUS. http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sinasc/cnv/nvto.def. Acesso em 11 dez. 2025.

GOOGLE SATELLITE. Google Earth. 2024.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Cidades e Estados. 2023. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/to/araguaina.html. Acesso em: 11 dez. 2025.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.  Malhas Territoriais. 2018;2021. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/geociencias/organizacao-do-territorio/malhas-territoriais/15774-malhas.html. Acesso em: 16 maio 2023.

LIMA, M. C. Planejamento urbano e desenvolvimento desigual para a primeira infância na região de influência imediata de Araguaína. 2025.270f. Dissertação (Programa de Pós-graduação em Demandas Populares e Dinâmicas Regionais) – Universidade Federal do Norte do Tocantins, Araguaína, 2025.

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